A mão de Jesus alcança nossas ruínas hoje
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Leituras do dia
- Primeira Leitura
- 2Rs 25,1-12
- Salmo Responsorial
- Sl 136(137),1-2.3.4-5.6 (R. 6a)
- Evangelho
- Mt 8,1-4
Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.
Há dias em que a vida parece uma casa depois de uma tempestade: planos interrompidos, notícias difíceis, relações feridas, contas que não fecham, um cansaço que não passa. Tentamos manter a rotina, responder às mensagens, cuidar de quem depende de nós, mas por dentro sentimos que algo foi derrubado. Nesses momentos, não é raro surgir a impressão de que Deus está distante, como se permanecesse em silêncio diante das ruínas que não conseguimos reconstruir.
A liturgia de hoje não disfarça a dor. A primeira leitura apresenta Jerusalém cercada, faminta, destruída e marcada pelo exílio. O salmo dá voz à saudade de quem está longe de sua terra, incapaz de cantar com leveza em meio à tristeza. São imagens fortes para todos os que conhecem algum tipo de exílio: estar distante da família, perder um trabalho, enfrentar uma enfermidade, carregar uma culpa antiga ou sentir-se estrangeiro até dentro da própria casa.
Mas o Evangelho coloca, no meio dessa realidade, uma cena decisiva. Um homem leproso se aproxima de Jesus. Ele traz no corpo uma dor visível e, provavelmente, no coração a experiência da separação e do desprezo. Mesmo assim, ajoelha-se e confia no poder do Senhor. Jesus não recua. Ele estende a mão, toca aquele homem e o purifica.
A única ideia que sustenta esta oração é simples e profunda: nenhuma ruína humana é inacessível à mão de Jesus. Ele não ama de longe, nem oferece uma consolação superficial. Cristo se aproxima justamente do lugar que costumamos esconder, daquele sofrimento que nos faz pensar que já não merecemos ser acolhidos. Seu toque não ignora a ferida; ele a atravessa com misericórdia e devolve à pessoa a possibilidade de recomeçar.
Talvez não vejamos uma solução imediata para tudo o que nos aflige. Jerusalém não foi poupada da destruição, e o povo conheceu a dura experiência do desterro. A fé não é uma negação da dor, nem uma promessa de que nada difícil acontecerá. Contudo, a fé nos impede de concluir que a dor tem a última palavra. Onde há perda, Jesus pode guardar uma esperança. Onde há vergonha, ele pode restaurar a dignidade. Onde há afastamento, ele pode criar um caminho de retorno.
O leproso não apresenta uma longa explicação de sua história. Ele se coloca diante de Jesus com humildade e verdade. Também nós podemos fazer isso hoje. Não precisamos organizar perfeitamente as palavras nem demonstrar força. Basta levar ao Senhor aquilo que está ferido: uma preocupação que se repete, uma mágoa que endureceu, uma fraqueza que nos humilha, o medo do futuro. A mão de Cristo continua estendida, especialmente quando já não sabemos como sustentar a própria vida.
Que parte de sua história você precisa colocar, hoje, ao alcance da mão misericordiosa de Jesus?
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