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Ilustração em estilo gráfico: degraus de pedra gastos em subida, em tons de verde musgo e verde salvia.
São Tomé Cor litúrgica: verde 3 min de leitura

Tomé e a fé que encontra lugar na comunidade

Ouvir a reflexão · 4 min

Leituras do dia

Primeira Leitura
Ef 2,19-22
Salmo Responsorial
Sl 116(117),1-2 (R. Mc 16,15)
Evangelho
Jo 20,24-29

Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.

Há dias em que precisamos conferir tudo duas vezes. Revisamos uma mensagem antes de enviá-la, procuramos o comprovante de uma compra, perguntamos novamente se um encontro foi mesmo combinado. Não é apenas desconfiança: muitas vezes, é o desejo de não sermos enganados, de termos os pés no chão e de encontrarmos segurança em meio a tantas informações, promessas e incertezas. Também na fé podemos carregar esse desejo de garantias.

Na festa de São Tomé, o Evangelho nos apresenta um discípulo que não estava reunido com os demais quando Jesus ressuscitado veio ao encontro deles. Ao ouvir que o Senhor tinha aparecido, Tomé não consegue aderir imediatamente ao testemunho dos irmãos. Ele quer ver, tocar, verificar as marcas da paixão. Sua reação parece dura, mas revela algo profundamente humano: ele não quer uma esperança vaga nem uma notícia bonita; quer encontrar o próprio Senhor.

A única ideia que ilumina este dia é que a fé cristã não nos pede para esconder nossas feridas e perguntas, mas para levá-las à presença de Jesus, dentro da comunhão da Igreja. Tomé se afastou do grupo por um tempo e, justamente ali, ficou sem a alegria do primeiro encontro com o Ressuscitado. Oito dias depois, porém, ele está novamente com os discípulos. É nesse lugar de comunhão que Jesus vem, atravessa as portas fechadas e oferece a paz.

O Senhor não humilha Tomé por sua dificuldade. Ele conhece suas palavras, vê sua resistência e se aproxima com misericórdia. Mostra as mãos e o lado ferido. As chagas não desapareceram: no corpo glorioso de Cristo, elas se tornaram sinais de um amor que passou pela cruz e venceu a morte. Tomé encontra não uma prova fria, mas o rosto vivo daquele que entregou a vida por amor. Por isso, sua resposta vai muito além de uma constatação: “Meu Senhor e meu Deus!”.

Essa profissão de fé é também um convite para nós. Quando a dúvida surgir, quando a oração parecer silenciosa ou quando as dores do mundo fizerem vacilar nossa esperança, não precisamos fingir certezas que não possuímos. Podemos dizer a Jesus o que se passa em nosso coração. Mas é importante não fazer isso no isolamento. A fé se sustenta na escuta da Palavra, na oração, na Eucaristia e na presença de irmãos e irmãs que continuam testemunhando: “Vimos o Senhor”.

A primeira leitura recorda que somos família de Deus e partes de uma construção cuja pedra principal é Cristo. Ninguém é chamado a permanecer estrangeiro, deslocado ou sozinho nessa casa. Até Tomé, com suas perguntas, tem lugar no edifício espiritual que Deus levanta. Sua experiência nos ensina que a comunidade não é formada por pessoas sem fragilidades, mas por gente reunida em torno de Jesus, aprendendo a reconhecê-lo e a anunciar seu Evangelho.

Hoje, talvez a pergunta não seja se temos dúvidas, mas onde as temos levado. Temos nos fechado atrás de portas interiores, ou temos buscado o Senhor junto de sua Igreja? Peçamos a graça de transformar nossas perguntas em uma oração sincera e de repetir, com Tomé, diante de Cristo: “Meu Senhor e meu Deus!”.

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