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Ilustração em estilo gráfico: um campo de estrelas em um céu noturno profundo, em tons de verde musgo e verde salvia.
16ª Semana do Tempo Comum Cor litúrgica: verde 3 min de leitura

A família que nasce da misericórdia de Deus

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Leituras do dia

Primeira Leitura
Mq 7,14-15.18-20
Salmo Responsorial
Sl 84(85),2-4.5-6.7-8 (R. 8a)
Evangelho
Mt 12,46-50

Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.

Há manhãs em que a casa parece pequena demais para tantas preocupações. Alguém pede atenção, o celular anuncia novas tarefas, uma conversa pendente pesa no coração e, antes mesmo de sair, já sentimos que estamos em dívida com a vida e com as pessoas. Nesses momentos, pode nascer a impressão de que precisamos merecer o amor dos outros e até o amor de Deus, como se Ele nos recebesse apenas quando conseguimos acertar tudo. A Palavra de hoje, porém, abre diante de nós um caminho diferente: o caminho de um Deus que não guarda rancor para sempre e que ama a misericórdia.

O profeta Miquéias contempla o Senhor como pastor de seu povo disperso. Deus vê quem está perdido, quem carrega marcas do pecado, quem se afastou por escolhas próprias ou pelas dores da estrada. E não responde com desprezo. Ele se compadece, apaga a iniquidade e lança os pecados ao fundo do mar. Essa imagem é profundamente consoladora: aquilo que entregamos sinceramente à misericórdia de Deus não precisa continuar governando nossa história. O Senhor não nos reduz ao erro cometido, à palavra dura que dissemos, à omissão que nos envergonha ou à fraqueza que ainda não vencemos. Ele nos chama de volta, restaura nossa vida e nos devolve a esperança de recomeçar.

No Evangelho, Jesus amplia ainda mais essa esperança ao olhar para os discípulos e declarar que sua verdadeira família é formada por aqueles que fazem a vontade do Pai. Não se trata de desprezar os laços de sangue, nem de diminuir o lugar singular de Maria, que realizou plenamente a vontade de Deus. Jesus revela que a proximidade com Ele não depende de prestígio, origem, aparência ou desempenho religioso. Quem acolhe a vontade do Pai entra na intimidade da casa de Deus. Torna-se irmão, irmã, mãe de Jesus; torna-se parte de uma família sustentada não pela perfeição, mas pela escuta obediente e pela misericórdia acolhida e oferecida.

Fazer a vontade de Deus, muitas vezes, não aparece em gestos extraordinários. Pode ser pedir perdão sem justificar demais, escutar alguém da família com paciência, cumprir uma responsabilidade que gostaríamos de adiar, não alimentar uma mágoa, escolher a verdade numa situação difícil ou reservar alguns minutos para rezar antes de decidir. É assim que a misericórdia recebida se transforma em misericórdia partilhada. Quem reconhece que Deus não guarda rancor aprende, pouco a pouco, a não transformar os erros alheios em condenações definitivas.

Hoje, talvez o Senhor queira nos tirar do lado de fora, daquele lugar em que ficamos quando pensamos que não somos dignos de nos aproximar. Ele nos chama para perto e nos oferece um lugar em sua família. Que não tenhamos medo de entregar a Ele o que pesa em nossa consciência e de perguntar, com humildade: Pai, qual é a tua vontade para mim neste dia, e a quem queres que eu ame com a mesma misericórdia que recebo de ti?

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