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Ilustração em estilo gráfico: a single sprout with two leaves, em tons de verde musgo e verde salvia.
17º Domingo do Tempo Comum Cor litúrgica: verde 3 min de leitura

A sabedoria de reconhecer o tesouro maior

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Leituras do dia

Primeira Leitura
1Rs 3,5.7-12
Salmo Responsorial
Sl 118(119),57.72.76-77.127-128.129-130 (R. 97a)
Segunda Leitura
Rm 8,28-30
Evangelho
Mt 13,44-52

Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.

Há manhãs em que a cabeça desperta antes do coração. A lista de tarefas aparece depressa: mensagens para responder, contas a organizar, decisões da família, preocupações que parecem pedir solução imediata. Em meio a tantas coisas que disputam nossa atenção, podemos passar o dia inteiro ocupados e, ainda assim, não tocar no que é mais importante. Nem toda urgência é essencial, e nem tudo o que brilha diante de nós tem o valor que promete.

Salomão se encontra diante de uma responsabilidade enorme. Ele poderia pedir segurança, riqueza, muitos anos de vida ou a vitória sobre seus inimigos. Mas reconhece a própria limitação e pede um coração capaz de escutar, discernir e praticar a justiça. Sua oração agrada a Deus porque não nasce da ambição, mas da consciência de que ele precisa ser conduzido. Um coração sábio não é aquele que tem resposta para tudo; é aquele que sabe onde procurar a luz quando precisa escolher.

Jesus fala do tesouro escondido no campo e da pérola preciosa. Quem os encontra vende tudo, não por desprezo às coisas que possuía, mas porque descobriu algo incomparavelmente maior. Há alegria nessa renúncia, pois ela não é uma perda vazia: é a decisão de acolher o bem que dá sentido a todos os demais bens. O Reino de Deus não é mais uma tarefa na agenda nem um detalhe religioso reservado para quando sobrar tempo. Ele é o tesouro que reorganiza nossos afetos, nossos critérios e o modo como usamos aquilo que temos.

Muitas vezes queremos que Deus nos entregue soluções prontas, que elimine imediatamente os problemas ou nos poupe de toda insegurança. Contudo, Ele frequentemente nos oferece algo mais profundo: a sabedoria para atravessar a vida sem nos perdermos. Sua Palavra ilumina os pequeninos, como canta o salmo, isto é, os que não se julgam autossuficientes e se deixam ensinar. Quando acolhemos essa luz, começamos a distinguir o que alimenta a alma daquilo que apenas ocupa espaço; o que constrói comunhão daquilo que nos fecha em nós mesmos; o que é justo daquilo que parece vantajoso, mas fere o coração.

A rede lançada ao mar recorda que nossa vida também será posta diante da verdade de Deus. Não se trata de viver assustado, mas de levar a sério as escolhas de cada dia. O Senhor conhece o que guardamos, o que buscamos e o que colocamos acima de tudo. Por isso, a pergunta decisiva não é apenas o que desejamos receber de Deus, mas o que estamos dispostos a reconhecer como nosso tesouro. São Paulo nos assegura que tudo coopera para o bem dos que amam a Deus. Até os caminhos difíceis podem ser transformados quando permanecemos unidos a Ele e permitimos que sua sabedoria nos forme à imagem de Cristo.

Talvez hoje seja um bom momento para silenciar um pouco antes de correr para as muitas demandas. Peçamos como Salomão: Senhor, dá-me um coração compreensivo. Ajuda-me a enxergar o teu Reino escondido nas pessoas que encontro, no dever cumprido com amor, no perdão oferecido, na verdade escolhida e na oração humilde. O que, nesta manhã, tem ocupado o lugar do tesouro maior em meu coração?

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