Quando o bem cresce em meio ao que fere
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Leituras do dia
- Primeira Leitura
- Jr 14,17-22
- Salmo Responsorial
- Sl 78(79),8.9.11 e 13 (R. 9bc)
- Evangelho
- Mt 13,36-43
Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.
Há manhãs em que basta abrir o celular ou conversar com alguém para perceber quanto sofrimento existe ao nosso redor. Uma notícia violenta, uma família dividida, uma injustiça que parece não encontrar reparação, uma palavra dura recebida dentro de casa: tudo isso pode dar a impressão de que o mal cresce livremente e que o bem está fraco demais para resistir. Também Jeremias olha para a dor do povo e não disfarça sua aflição. Ele chora, reconhece o pecado e suplica ao Senhor, porque sabe que nenhum ídolo, nenhuma segurança humana e nenhuma solução superficial pode devolver à terra aquilo que somente Deus pode dar.
No Evangelho, os discípulos procuram Jesus em casa e pedem que lhes explique a parábola do joio. Eles querem compreender por que, no campo do mundo, a boa semente cresce misturada ao mal. A resposta de Jesus não oferece uma explicação fácil nem alimenta a pressa de eliminar tudo aquilo que nos incomoda. Ele revela que há, de fato, uma luta real: o Reino foi semeado pelo Filho do Homem, mas o inimigo também espalha aquilo que fere, confunde e afasta as pessoas de Deus. O mal não é uma ilusão, e o cristão não é chamado a fingir que ele não existe.
Mas Jesus também nos guarda de uma tentação perigosa: a de tomar para nós o lugar do juiz. Quando vemos erros, incoerências e pecados — nos outros, na Igreja, na sociedade e até em nossa própria casa — podemos desejar uma separação imediata, como se fôssemos capazes de reconhecer com absoluta clareza quem pertence ao bem e quem está perdido. O Senhor, porém, conhece o coração em profundidade. Ele vê possibilidades de conversão onde nós enxergamos apenas fracasso; vê feridas escondidas por trás de atitudes erradas; vê a boa semente ainda pequena, abafada e silenciosa.
Isso não significa aceitar o mal, relativizar a injustiça ou deixar de corrigir aquilo que precisa ser corrigido. Significa agir sem ódio, sem condenar pessoas e sem perder a esperança. A nossa tarefa é pertencer ao Reino: deixar que a Palavra de Deus molde nossas escolhas, recusar aquilo que faz outros pecar, reparar o mal que praticamos e semear gestos concretos de verdade, paciência e misericórdia. Enquanto o juízo definitivo pertence a Deus, a fidelidade de hoje pertence a nós.
Jeremias nos ensina ainda que essa fidelidade começa pela humildade. Diante da desordem, ele não aponta somente os pecados alheios; diz: “Reconhecemos, Senhor, a nossa impiedade”. Sua oração é a de quem sabe que precisa da bondade divina antes de exigir explicações. Talvez, neste início de dia, o Senhor nos peça menos indignação estéril e mais um coração convertido: capaz de chorar diante da dor, pedir perdão com sinceridade e continuar fazendo o bem sem desistir.
Os justos, diz Jesus, brilharão como o sol no Reino do Pai. Essa promessa não é um convite para buscar destaque, mas para permitir que a luz de Cristo apareça em uma vida perseverante. Onde, hoje, você pode escolher ser boa semente, confiando que Deus não abandona o seu campo?
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