A verdade dita com amor não perde a coragem
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Leituras do dia
- Primeira Leitura
- Jr 26,11-16.24
- Salmo Responsorial
- Sl 68(69),15-16.30-31.33-34 (R. cf. 14)
- Evangelho
- Mt 14,1-12
Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.
Ao abotoar a camisa antes de sair ou ao ajeitar um detalhe simples diante do espelho, procuramos deixar tudo no lugar. Esse pequeno gesto de cuidado lembra que há coisas que não podem ser tratadas de qualquer maneira. Também a consciência pede atenção. Ela nos recorda, com delicadeza e firmeza, quando uma escolha precisa ser revista, quando uma palavra não deveria ser dita, quando o silêncio diante do erro já não é paz, mas omissão.
Jeremias conhece o peso de falar o que Deus lhe confiou. Diante daqueles que desejam condená-lo, ele não se defende com agressividade nem tenta salvar a própria pele negando a mensagem. Apenas reafirma que o Senhor o enviou e chama o povo a emendar a vida. Sua coragem não nasce do gosto pela discussão, mas da obediência. Ele não anuncia uma condenação inevitável; oferece um caminho de conversão. Deus deseja que o povo escute, mude e viva. A verdade, em seus lábios, não é uma arma para ferir, mas uma luz que revela o perigo e indica uma saída.
João Batista também paga um alto preço por não negociar aquilo que reconhece como justo. Sua palavra dirigida a Herodes não é conveniente, e a violência que sofre mostra como o poder pode se tornar cruel quando se recusa a acolher a verdade. O Evangelho não nos convida a procurar conflitos nem a falar com dureza em nome de uma suposta fidelidade. Convida-nos a não chamar de bem aquilo que destrói, nem a esconder a verdade por medo de perder aceitação, tranquilidade ou vantagens. Há palavras que precisam ser pronunciadas com prudência, respeito e amor; mas não devem ser abandonadas.
Santo Afonso Maria de Ligório iluminou a Igreja justamente por unir a seriedade da vida cristã à confiança na misericórdia de Deus. Como pastor e mestre, ajudou muitas consciências a não caírem nem no rigor que desanima nem na permissividade que engana. Ele sabia que a conversão não é um peso imposto de fora, mas resposta ao amor de um Deus que se aproxima do pecador e lhe oferece recomeço. A fidelidade à verdade se torna mais humana quando nasce de um coração que experimentou perdão.
Talvez hoje o Senhor peça de nós uma sinceridade simples: reconhecer uma atitude que precisa mudar, conversar com respeito sobre algo importante, recusar uma cumplicidade errada ou pedir perdão sem justificativas. Não precisamos enfrentar tudo sozinhos. O salmo nos assegura que Deus escuta o clamor dos humildes e levanta quem se sente frágil. Qual verdade o Senhor está confiando à sua consciência neste dia, e como você pode acolhê-la com coragem e amor?
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