A voz de Deus não alimenta nossas ilusões
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Leituras do dia
- Primeira Leitura
- Jr 28,1-17
- Salmo Responsorial
- Sl 118(119),29.43.79.80.95.102 (R. 68b)
- Evangelho
- Mt 14,22-36
Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.
Jeremias está na casa do Senhor, diante dos sacerdotes e do povo, quando Ananias anuncia uma libertação rápida e agradável: em dois anos, tudo estaria restaurado, os exilados voltariam e o peso da Babilônia seria quebrado. Jeremias não reage com inveja nem deseja que a notícia seja falsa. Ele até responde: “Amém”. Também ele desejava a volta do povo e a restauração do que fora perdido. Mas não confunde o seu desejo com a certeza de que aquela palavra vinha de Deus.
Há uma honestidade preciosa nessa postura. Existem palavras que nos alcançam justamente porque dizem aquilo que gostaríamos de ouvir. Prometem solução imediata para uma preocupação, mudança sem perseverança, paz sem enfrentarmos o que precisa ser corrigido. No começo de um dia de trabalho, talvez apareçam atalhos sedutores: a desculpa pronta, a conversa que alimenta uma ilusão, a decisão tomada apenas para afastar o desconforto. Nem tudo o que tranquiliza depressa, porém, conduz à verdade.
O salmo pede: “Afastai-me do caminho da mentira e dai-me a vossa lei como um presente”. A verdade de Deus nem sempre é fácil, mas é um presente porque não nos abandona em aparências. Ela purifica nossos critérios, desarma a pressa e nos ensina a caminhar com firmeza. Jeremias sabe que a paz anunciada por um profeta precisa ser reconhecida pelos frutos e pela realização da palavra. A fé não é ingenuidade diante de toda voz convincente; é confiança humilde em Deus, que educa o coração para discernir.
No Evangelho, os discípulos enfrentam o vento contrário enquanto Jesus parece distante, recolhido em oração. Quando ele vem ao encontro deles sobre as águas, o medo inicialmente os impede de reconhecê-lo. Pedro dá alguns passos, mas, ao sentir a força do vento, deixa que a ameaça ocupe todo o seu olhar e começa a afundar. Seu grito é curto e verdadeiro: “Senhor, salva-me!”. Jesus não demora a estender a mão.
Também nós não precisamos fingir segurança quando o dia apresenta ventos contrários. O caminho não está em aceitar qualquer promessa fácil, nem em acreditar que conseguiremos atravessar tudo sozinhos. Está em escutar a voz de Cristo, que diz: “Sou eu. Não tenhais medo”, e em voltar os olhos para ele quando a dúvida cresce. Que palavra tem guiado suas escolhas hoje: a que apenas confirma seus desejos ou a que, mesmo exigente, o aproxima da mão de Jesus?
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