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Ilustração em estilo gráfico: um caminho estreito de pedra serpenteando entre colinas, em tons de verde musgo e verde salvia.
18ª Semana do Tempo Comum Cor litúrgica: verde 3 min de leitura

A fé que não desiste de pedir ao Senhor

A confiança humilde da mulher cananeia

Ouvir a reflexão · 4 min

Leituras do dia

Primeira Leitura
Jr 31,1-7
Salmo Responsorial
Jr 31,10.11-12ab.13 (R. cf. 10d)
Evangelho
Mt 15,21-28

Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.

Uma palavra pequena chama a atenção no Evangelho: migalhas. A mulher cananeia não pede um lugar à mesa, não reivindica méritos nem apresenta argumentos para provar que merece ser atendida. Ela apenas reconhece que até uma migalha da bondade de Jesus basta para transformar a dor que sua filha sofre. Naquela súplica humilde, há uma força que não faz barulho, mas não recua.

O silêncio inicial de Jesus e as palavras duras que ela escuta poderiam tê-la feito voltar para casa desanimada. Seria compreensível. Afinal, quando pedimos algo importante e parece que não recebemos resposta, o coração logo se enche de perguntas. Podemos interpretar o silêncio como abandono, imaginar que nossa oração não tem valor ou concluir que Deus está distante demais daquilo que nos machuca. A mulher, porém, permanece. Ela se aproxima, prostra-se e diz simplesmente: Senhor, socorre-me.

Sua fé não é uma confiança ingênua, que ignora a dor ou finge que tudo está resolvido. É a fé de quem sabe que não tem outra segurança maior do que o Senhor. Por isso, ela não se fecha na revolta, nem se deixa vencer pela humilhação. Ela encontra, nas próprias palavras que parecem afastá-la, um motivo para continuar esperando. Se há migalhas, pensa ela, então há alimento; se há bondade no coração de Jesus, então sua filha pode ser alcançada por essa bondade.

Jeremias anuncia um Deus que ama com amor eterno e atrai o seu povo pela misericórdia. Esse amor não é reservado aos dias em que nos sentimos fortes, organizados ou merecedores. É um amor que vai ao encontro do povo ferido, que reedifica o que parecia destruído e conduz ao descanso quem atravessou o deserto. Jesus revela esse mesmo coração ao reconhecer a grandeza da fé daquela mulher e ao devolver saúde à sua filha.

Talvez este dia comece com uma intenção que você já apresentou muitas vezes a Deus: uma pessoa da família, uma enfermidade, uma reconciliação, uma decisão necessária, uma aflição que ninguém conhece por inteiro. A Palavra não manda negar o cansaço, mas convida a não abandonar a oração. Mesmo quando não entendemos o modo de Deus agir, podemos continuar diante dele com a verdade do nosso pedido e a humildade de quem confia.

Antes de entrar nas tarefas de hoje, qual é a súplica que você precisa colocar novamente nas mãos de Jesus, dizendo com simplicidade: Senhor, socorre-me?

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