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Ilustração em estilo gráfico: degraus de pedra gastos em subida, em tons de verde musgo e verde salvia.
São Domingos, presbítero Cor litúrgica: verde 3 min de leitura

A fé pequena que aprende a esperar em Deus

A confiança que permanece diante do Senhor

Ouvir a reflexão · 4 min

Leituras do dia

Primeira Leitura
Hab 1,12-2,4
Salmo Responsorial
Sl 9A(9),8-9.10-11.12-13 (R. 11b)
Evangelho
Mt 17,14-20

Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.

Ao colocar uma semente num vaso e cobri-la com um pouco de terra, ninguém espera ver a planta nascer naquela mesma hora. Regamos, deixamos o vaso receber luz e seguimos a rotina, embora por alguns dias nada pareça acontecer. Debaixo da terra, porém, há uma vida que trabalha silenciosamente. Esse gesto simples ajuda a compreender a fé de que falam as leituras de hoje: não uma certeza apressada, que exige resultados imediatos, mas uma confiança que permanece voltada para Deus quando ainda não consegue enxergar os frutos.

Habacuc não disfarça sua angústia. Ele vê a injustiça, a violência e a aparente vitória dos maus; por isso, pergunta ao Senhor por que Ele parece calado. Sua oração é corajosa porque nasce de quem continua chamando Deus de Senhor, de rochedo, mesmo ferido pelas perguntas. Depois de apresentar sua denúncia, o profeta toma uma decisão importante: vai ocupar o posto de guarda e esperar pela resposta. Deus não o repreende por perguntar; convida-o a esperar, assegurando que a visão chegará no tempo devido. “O justo viverá por sua fé”: viverá sustentado pela fidelidade de Deus, sem abandonar a esperança quando o caminho se torna escuro.

No Evangelho, os discípulos se veem diante de uma dor que não conseguem vencer. A pergunta deles é muito humana: por que não conseguimos? Jesus não pede uma fé gigantesca, admirada por todos, mas uma fé verdadeira, ainda que pequena como uma semente de mostarda. A força não está no tamanho de nossa segurança pessoal, e sim naquele em quem depositamos a confiança. A montanha que parece imóvel pode ser um medo antigo, uma situação familiar dolorosa, uma doença, uma reconciliação que julgamos impossível ou a própria impaciência diante dos tempos de Deus. A fé não é uma técnica para controlar o Senhor; é a disposição de permanecer unidos a Ele, pedindo, esperando e agindo conforme sua vontade.

São Domingos iluminou esse caminho com uma vida de oração, estudo e pregação. Diante das confusões e feridas de seu tempo, ele não escolheu a agressividade nem a acomodação. Procurou anunciar a verdade de Cristo com pobreza, perseverança e caridade. Seu testemunho recorda que a fé pequena cresce quando é alimentada pela Palavra e se transforma em serviço concreto. Quem confia no Senhor não se fecha numa espera passiva: vigia, reza, aprende, fala com mansidão e sustenta os que sofrem.

Talvez exista hoje uma pergunta que você carrega há tempo e ainda não recebeu resposta. Em vez de escondê-la ou deixar que ela se transforme em desânimo, apresente-a ao Senhor. Peça a graça de uma fé simples e perseverante. Que montanha você precisa confiar a Deus nesta manhã, disposto a esperar e a caminhar com Ele?

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