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Ilustração em estilo gráfico: sementes espalhadas sobre terra arada, em tons de verde musgo e verde salvia.
São Pio X Cor litúrgica: verde 3 min de leitura

O sopro de Deus refaz o coração que ama

Ouvir a reflexão · 4 min

Leituras do dia

Primeira Leitura
Ez 37,1-14
Salmo Responsorial
Sl 106(10)7
Evangelho
Mt 22,34-40

Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.

Você já abriu a janela de casa e sentiu o ar mudar o ambiente inteiro? O quarto continua o mesmo, os móveis permanecem no lugar, mas entra uma corrente nova que afasta o abafamento e torna possível respirar melhor. Existem também regiões da nossa vida que parecem fechadas e sem ar: uma oração repetida sem gosto, uma relação desgastada, um cansaço que nos faz cumprir deveres sem alegria, uma esperança que vai se tornando pequena. Nem sempre isso aparece por fora. Podemos continuar trabalhando, falando, resolvendo o necessário; por dentro, porém, algo pode estar ressequido.

A visão de Ezequiel não disfarça essa realidade. Ele é levado a uma planície cheia de ossos secos, sinal de um povo que se julgava perdido e sem futuro. Diante daquela cena, Deus não pede ao profeta que finja enxergar vida onde ela ainda não existe. Ele mostra os ossos, deixa aparecer a secura e, então, pronuncia uma promessa: colocará neles o seu espírito. A vida volta não pela força dos ossos, nem pelo entusiasmo momentâneo de quem os contempla, mas pelo sopro do Senhor. Deus é capaz de alcançar aquilo que julgamos encerrado, de abrir sepulturas interiores e de pôr de pé quem já não esperava recomeçar.

Esse Espírito devolve à vida para que amemos. No Evangelho, Jesus reúne toda a Lei em um caminho indivisível: amar a Deus com todo o ser e amar o próximo como a nós mesmos. Quando o coração perde esse centro, até a fé pode virar peso, formalidade ou disputa sobre quem está certo. Amar a Deus não nos afasta das pessoas; conduz-nos a olhar para elas com a dignidade que receberam dele. E amar o próximo não é apenas sentir simpatia, mas desejar e buscar concretamente o seu bem, com verdade, paciência e responsabilidade.

São Pio X iluminou esse caminho ao cuidar para que o povo simples tivesse acesso mais profundo à vida da Igreja, especialmente pela catequese e pela Eucaristia. Seu zelo não era gosto por regras isoladas, mas desejo de que crianças, famílias e comunidades encontrassem em Cristo a fonte de uma fé viva. Ele compreendia que ninguém se sustenta somente com instruções exteriores: é preciso alimentar-se do Senhor para aprender a amá-lo e para servir os irmãos. Onde a Eucaristia é acolhida com sinceridade, Deus continua soprando vida sobre o que se tornou árido.

Talvez hoje não seja necessário resolver tudo o que parece seco em seu coração. Basta apresentar isso a Deus sem esconder, como Ezequiel diante da planície. Peça ao Senhor o seu Espírito e permita que ele refaça em você a capacidade de amar. Que lugar da sua vida precisa receber, neste dia, o sopro de Deus e transformar-se em gesto concreto de amor?

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