A vigilância que alimenta na hora certa
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Leituras do dia
- Primeira Leitura
- 1Cor 1,1-9
- Salmo Responsorial
- Sl 144(145)
- Evangelho
- Mt 24,42-51
Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.
Na cozinha ainda silenciosa, uma mulher separa frutas em pequenos potes, fecha a garrafa de água e deixa o café pronto para quem sairá cedo. Ela confere se nada ficou de fora, não por ansiedade, mas porque conhece as necessidades daquela casa. Antes mesmo de o dia começar de fato, seu cuidado já se tornou alimento oferecido na hora certa.
Jesus fala do empregado fiel e prudente que recebe uma responsabilidade: cuidar dos demais e lhes dar o alimento necessário. Sua vigilância não consiste em ficar paralisado, olhando o relógio e tentando adivinhar quando o senhor voltará. Ele vigia porque permanece dedicado à tarefa que lhe foi confiada. Está atento ao que precisa ser feito, ao pão que deve ser repartido, à pessoa que depende de seu serviço. Para Jesus, estar preparado é viver o presente com um coração responsável e disponível.
Essa palavra ganha uma luz particular na memória de Santa Mônica. Seu testemunho nos recorda uma perseverança que não se cansou de amar. Ela carregou no coração a dor de ver caminhos queridos se distanciarem de Deus, mas não transformou essa dor em abandono, dureza ou desespero. Sustentou a esperança com oração, lágrimas e paciência. Sua vigilância foi a de quem continuou intercedendo, sem querer ocupar o lugar de Deus na vida do filho, mas sem deixar de confiar na graça que podia alcançá-lo.
Paulo também contempla essa graça agindo na comunidade. Ele agradece porque Deus enriquece os seus filhos e porque é fiel à comunhão para a qual os chamou em Cristo. Antes de exigir perfeição, o apóstolo recorda a fidelidade do Senhor. É essa certeza que permite vigiar sem medo. Não servimos para conquistar o amor de Deus, mas porque já fomos alcançados por ele. Não perseveramos apoiados apenas em nossa força; Cristo mesmo nos sustenta até o fim.
O risco apontado por Jesus aparece quando alguém imagina que o senhor está demorando e, por isso, passa a tratar os outros com violência, descuido ou indiferença. A demora aparente pode esfriar o coração: uma oração cuja resposta não chega, uma reconciliação difícil, um familiar que não muda, uma responsabilidade repetitiva. Nesses momentos, a fidelidade se torna muito concreta. Ela pede que não descontemos nos outros o nosso cansaço, que não abandonemos o bem por não vermos resultados imediatos e que continuemos oferecendo o alimento possível: uma palavra justa, uma escuta paciente, uma prece sincera, um gesto de misericórdia.
Santa Mônica não é lembrada por ter controlado os acontecimentos, mas por ter permanecido diante de Deus com amor confiante. Hoje, o Senhor talvez não esteja pedindo grandes demonstrações, mas a atenção humilde de quem cuida bem do que recebeu. Qual pessoa ou situação Deus coloca em suas mãos para que você ofereça, com perseverança, o alimento certo na hora certa?
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