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Ilustração em estilo gráfico: um rio sinuoso visto de cima, em tons de verde musgo e verde salvia.
Martírio de São João Batista Cor litúrgica: verde 3 min de leitura

A coragem de permanecer fiel à verdade

Ouvir a reflexão · 4 min

Leituras do dia

Primeira Leitura
Jr 1, 17-19
Salmo Responsorial
Sl 70
Evangelho
Mc 6, 17-29

Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.

Antes de sair de casa, alguém se inclina para amarrar os cadarços. É um gesto breve, quase automático, mas necessário: os passos do dia pedem algo que esteja firme. Um laço malfeito pode se soltar no caminho; uma escolha feita apenas para agradar ou evitar incômodos também pode nos deixar sem sustentação quando chega a hora de enfrentar uma situação difícil. Há momentos em que a fidelidade parece pequena, escondida numa palavra que não repetimos, numa atitude desonesta que não aceitamos, numa conversa em que preferimos não alimentar uma injustiça.

A Palavra dirigida a Jeremias traz esse chamado: levantar-se, preparar-se e dizer o que Deus manda, sem se deixar dominar pelo medo. O Senhor não promete ao profeta uma vida sem oposição. Pelo contrário, avisa que haverá luta. A promessa é outra, mais profunda: Deus estará com ele para defendê-lo. A força de Jeremias não nasce de uma personalidade sem tremores, mas da presença de Deus que o torna firme como cidade fortificada, coluna de ferro e muro de bronze.

São João Batista viveu essa mesma firmeza. Diante de Herodes, ele não escolheu o silêncio conveniente. Disse a verdade sobre uma situação que contrariava a vontade de Deus, mesmo sabendo que isso lhe poderia custar caro. João não procurava humilhar o rei, conquistar admiradores ou demonstrar superioridade moral. Sua palavra era livre porque seu coração pertencia ao Senhor. Por isso, mesmo preso, ele não foi vencido. Seu corpo foi entregue à violência, mas sua fidelidade não pôde ser acorrentada.

Herodes, por sua vez, mostra a tristeza de quem reconhece o bem, mas não tem coragem de segui-lo. Ele escutava João, percebia que era justo e santo, e ainda assim se deixou conduzir pela pressão dos convidados e pelo peso de uma promessa impensada. Quantas decisões se tornam confusas quando nos preocupamos mais com a imagem que preservamos diante dos outros do que com a verdade que Deus coloca diante de nós? A prisão mais dura nem sempre tem grades; pode ser o medo de desagradar, de perder espaço, de parecer diferente.

O martírio de João não nos convida à aspereza nem a palavras lançadas sem amor. Ele nos chama a uma consciência reta, humilde e corajosa. A verdade cristã não é uma arma para ferir alguém, mas uma luz que não negocia o bem, inclusive quando essa luz revela aquilo que precisa mudar em nós. O salmo nos ensina a procurar refúgio no Senhor: é nele que encontramos amparo para não transformar o medo em guia das nossas escolhas.

Neste dia, talvez o Senhor não peça grandes discursos, mas uma fidelidade concreta: agir com honestidade, proteger alguém injustiçado, pedir perdão, não consentir com o que sabemos ser errado. Onde você precisa confiar mais na presença de Deus para permanecer firme na verdade, com a serenidade de São João Batista?

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