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Ilustração em estilo gráfico: uma porta simples com luz além dela, em tons de verde musgo e verde salvia.
22ª Semana do Tempo Comum Cor litúrgica: verde 3 min de leitura

A palavra de Deus não cabe em nossas medidas

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Leituras do dia

Primeira Leitura
1Cor 2,1-5
Salmo Responsorial
Sl 118(119)
Evangelho
Lc 4,16-30

Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.

Jesus se levanta na sinagoga de Nazaré, recebe o livro do profeta Isaías, procura uma passagem e lê a promessa de boa-nova para os pobres, libertação para os cativos e graça para os feridos. Depois, fecha o livro, senta-se e pronuncia uma frase que faz todos prenderem a respiração: aquela Palavra se cumpre hoje. A cena começa com admiração. Os conterrâneos reconhecem a beleza de suas palavras. Mas logo surge a pergunta que fecha o coração: “Não é este o filho de José?” Conheciam sua família, sua origem simples, os caminhos por onde ele havia crescido. E, por isso mesmo, tiveram dificuldade de reconhecer nele a presença nova de Deus.

Existe uma proximidade que pode nos tornar cegos. Podemos nos acostumar com o Evangelho, com os gestos da oração, com as pessoas que vivem ao nosso lado, e imaginar que já sabemos o que podem nos oferecer. Jesus não corresponde ao desejo de ser apenas um milagreiro a serviço das expectativas de sua cidade. Ele recorda que a misericórdia de Deus alcançou uma viúva estrangeira e curou um sírio, mostrando que sua graça não se deixa prender por fronteiras, preferências ou merecimentos humanos. A reação é dura, porque a Palavra que consola também desinstala.

No começo de mais um dia de trabalho, talvez seja mais fácil procurar uma fé que confirme nossos planos e resolva logo aquilo que nos preocupa. Contudo, Cristo vem ao nosso encontro sem os recursos da aparência e do prestígio. São Paulo confessa que anunciou Jesus crucificado com fraqueza e tremor, para que a fé não se apoiasse na habilidade humana, mas no poder do Espírito. Deus não precisa impressionar para agir. Sua força pode aparecer numa conversa sincera, numa decisão reta que ninguém aplaude, na paciência diante de uma contrariedade ou na coragem de não tratar alguém segundo o rótulo que lhe demos.

A Palavra se cumpre hoje quando permitimos que ela tenha mais autoridade do que nossos julgamentos apressados. Jesus continua passando pelo meio de nossas resistências e seguindo seu caminho; não força a porta de um coração fechado, mas também não abandona sua missão de anunciar a graça. Pedir um coração disponível não significa entender tudo de imediato. Significa não reduzir Deus ao que já conhecemos, nem negar sua ação porque ela vem por caminhos simples, pessoas improváveis ou exigências que nos incomodam.

Antes de iniciar suas tarefas, apresente ao Senhor aquilo que você acha já conhecer bem demais: uma pessoa, uma situação, uma dor ou até sua própria fé. Onde Jesus pode estar querendo cumprir hoje sua Palavra, além das medidas que você havia estabelecido?

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