O pão repartido e a liberdade do coração
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Leituras do dia
- Primeira Leitura
- 1Cor 4,6b-15
- Salmo Responsorial
- Sl 144(145),17-18.19-20.21 (R. 18a)
- Evangelho
- Lc 6,1-5
Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.
Ao preparar um lanche para levar ao trabalho, colocamos na bolsa aquilo que poderá sustentar o corpo entre uma tarefa e outra: um pão, uma fruta, uma garrafa de água. É um cuidado simples, ligado a uma necessidade real. Ninguém consideraria falta de respeito parar alguns minutos para comer quando a fome chega. No Evangelho de hoje, os discípulos de Jesus atravessam uma plantação, colhem espigas com as mãos e comem. O gesto desperta a crítica dos fariseus, preocupados com a observância do sábado.
Jesus não despreza a Lei de Deus, nem ensina que cada pessoa deve agir apenas conforme a própria vontade. Ele, porém, revela o sentido mais profundo da Lei. O sábado havia sido dado como dom, como tempo de repouso, culto e liberdade; não poderia tornar-se um peso que ignorasse a fome de quem caminha. Quando uma regra perde de vista a pessoa concreta, seu sofrimento e sua necessidade, ela deixa de expressar o coração do Deus que cuida.
Esta palavra pede discernimento para o nosso dia. Podemos cumprir deveres, horários e compromissos com grande rigor, mas ainda assim endurecer o olhar diante de alguém que precisa de compreensão. Podemos defender uma forma correta de fazer as coisas e, sem perceber, usar essa correção para julgar, diminuir ou afastar. Jesus nos ensina que a fidelidade verdadeira não é fria. Ela sabe acolher a vida que se apresenta diante de nós.
A primeira leitura aprofunda essa liberdade ao tocar no orgulho. Paulo pergunta aos coríntios o que possuem que não tenham recebido. A pergunta desfaz a ilusão de superioridade. Os talentos, as oportunidades, a fé, a capacidade de trabalhar e até as pessoas que nos ajudaram a crescer são dons. Receber tudo como graça torna o coração menos inclinado a comparar-se, disputar espaço ou considerar-se melhor que os outros.
O mesmo Senhor que é senhor do sábado está perto de quem o invoca, como canta o salmo. Ele não se aproxima para vigiar nossos erros com dureza, mas para salvar, guardar e conduzir. Começar o dia reconhecendo isso muda o modo de cumprir as obrigações: trabalhamos com responsabilidade, mas sem transformar o dever em vaidade; respeitamos o que é justo, mas sem esquecer a misericórdia.
Que necessidade concreta estará diante de você hoje? Peça ao Senhor a humildade de reconhecer os dons recebidos e a liberdade de colocar a vida, a caridade e a verdade no centro de cada escolha.
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