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Ilustração em estilo gráfico: uma cadeia de montanhas em silhuetas planas sobrepostas, em tons de verde musgo e verde salvia.
23ª Semana do Tempo Comum Cor litúrgica: verde 3 min de leitura

Antes de corrigir, deixe Deus ajustar seu olhar

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Leituras do dia

Primeira Leitura
1Cor 9,16-19.22-27
Salmo Responsorial
Sl 83(84)
Evangelho
Lc 6,39-42

Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.

Você conferiu se levou as chaves antes de sair de casa? É um gesto pequeno, quase automático, mas evita que a pressa se transforme em problema mais tarde. Há coisas que precisamos verificar em nós mesmos antes de avançar: a disposição com que vamos falar, a irritação que carregamos, a certeza apressada de que já entendemos a situação do outro.

No Evangelho, Jesus fala da facilidade de enxergar o cisco no olho do irmão e da dificuldade de perceber a trave que está no próprio olho. Suas palavras não nos proíbem de cuidar uns dos outros nem nos pedem indiferença diante do erro. Elas nos ensinam que o cuidado fraterno só se torna verdadeiro quando nasce de um coração humilde, que primeiro aceita ser corrigido por Deus.

É mais simples notar a impaciência de alguém do que admitir a nossa própria dureza. Vemos logo a desorganização do colega, a falha de quem vive conosco, a palavra inadequada de uma pessoa da família. Mas talvez não percebamos o tom com que respondemos, o julgamento que fazemos em silêncio ou a falta de escuta que fecha nosso coração. Quando isso acontece, corremos o risco de oferecer ajuda sem ternura, conselho sem conhecimento e correção sem misericórdia.

São Paulo fala de uma disciplina que não é corrida sem rumo nem luta contra o ar. O discípulo de Jesus não vive guiado pelo impulso de vencer discussões ou de se mostrar melhor que os demais. Ele se exercita na verdade: aprende a dominar a língua, a rever as próprias atitudes, a reconhecer seus limites e a recomeçar. Essa disciplina interior não nos diminui; ela nos torna mais livres para amar.

O salmo recorda a felicidade de quem encontra em Deus sua morada e sua força. É diante do Senhor que nosso olhar pode ser purificado. Na oração sincera, deixamos de apresentar apenas os defeitos alheios e permitimos que Ele toque aquilo que em nós precisa de cura. Então, se for necessário falar com um irmão, nossas palavras poderão carregar respeito, paciência e desejo real de ajudá-lo.

Antes de corrigir alguém hoje, você pode parar um instante e pedir ao Senhor: mostra-me, com bondade, o que preciso enxergar em mim?

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