Na cruz levantada Deus nos devolve a vida
Exaltação da Santa Cruz
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Leituras do dia
- Primeira Leitura
- Nm 21, 4b-9
- Salmo Responsorial
- Sl 77
- Segunda Leitura
- Fl 2, 6-11
- Evangelho
- Jo 3, 13-17
Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.
No deserto, Moisés recebe do Senhor uma ordem incomum: fabricar uma serpente de bronze e colocá-la no alto de uma haste. O povo, ferido pelas serpentes venenosas, deveria olhar para aquele sinal e viver. Não era um objeto mágico, nem um prêmio para quem tivesse merecido a cura. Era um chamado a reconhecer a própria fragilidade, a voltar-se para Deus e a acolher a vida que ele oferecia. Na Festa da Exaltação da Santa Cruz, a Igreja contempla Jesus elevado não sobre uma haste no deserto, mas sobre a cruz, para que todo aquele que nele crê encontre salvação.
Olhar para a cruz pode parecer difícil. Ela traz à memória a injustiça, a violência, a humilhação e a morte. Não celebramos o sofrimento como se ele fosse bom em si mesmo. Celebramos o amor de Cristo, que não recuou diante do mal e não abandonou a humanidade quando ela se perdeu. Jesus assumiu a nossa condição, desceu até a profundidade da dor humana e permaneceu fiel ao Pai até o fim. Como recorda São Paulo, ele se humilhou e se fez obediente, e por isso foi exaltado. A cruz, que parecia derrota, tornou-se o lugar onde resplandece a vitória de um amor que não desiste.
Há momentos em que também nós nos sentimos feridos pelo caminho: uma palavra recebida com dureza, uma culpa que pesa, uma preocupação que volta todos os dias, uma relação machucada, uma escolha errada cujas consequências ainda permanecem. Nessas horas, é possível cair na impaciência do povo no deserto e deixar que o coração se feche em reclamação, desânimo ou revolta. A cruz de Cristo não minimiza essas feridas, nem nos pede que finjamos estar bem. Ela nos convida a levantar os olhos para aquele que conhece por dentro a nossa dor e que, mesmo assim, nos ama sem medida.
Jesus afirma a Nicodemos que Deus não enviou o Filho para condenar o mundo, mas para salvá-lo. Esta palavra muda a maneira de nos aproximarmos da cruz. Não vamos até ela como quem se apresenta diante de uma acusação definitiva, mas como quem encontra um Salvador. O Crucificado não aponta nossas quedas para nos envergonhar; ele abre os braços para nos recolher. Seu olhar não nos aprisiona no que fizemos ou deixamos de fazer. Ele nos devolve a possibilidade de recomeçar, de pedir perdão, de perdoar e de confiar novamente.
Talvez hoje você passe diante de um crucifixo na parede de casa, na igreja, no caminho ou até num pequeno sinal que traz consigo. Não o veja apenas como um costume religioso ou uma imagem conhecida. Detenha o coração por um instante. Ali está o Filho de Deus que se entregou para que você tenha vida. Que ferida, medo ou peso você precisa hoje colocar diante da cruz, deixando-se alcançar pelo amor de Cristo que não veio condenar, mas salvar?
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