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Ilustração em estilo gráfico: uma pequena ponte de madeira sobre um riacho, em tons de verde musgo e verde salvia.
Santa Teresa do Menino Jesus, virgem e doutora da Igreja Cor litúrgica: branco 3 min de leitura

A confiança pequena que abre o caminho para Deus

Ouvir a reflexão · 4 min

Leituras do dia

Primeira Leitura
Jó 19,21-27
Salmo Responsorial
Sl 26(27),7-8a.8b-9abc.13-14 (R. 13)
Evangelho
Lc 10,1-12

Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.

Uma mãe ajeita o casaco da filha antes de ela sair, fecha com cuidado um botão torto e alisa a gola com a palma da mão. É um gesto rápido, quase escondido na correria da porta, mas cheio de presença. Não resolve todos os caminhos que a criança encontrará, nem elimina os riscos do dia; apenas comunica, de modo concreto: você é amada, pode ir em paz. Certos cuidados pequenos têm uma força maior do que aparentam, porque devolvem segurança ao coração.

Santa Teresa do Menino Jesus compreendeu profundamente esse caminho da pequenez. Sua santidade não nasceu de feitos grandiosos aos olhos do mundo, mas da decisão de acolher cada dever, cada contrariedade e cada encontro como ocasião de amar. Ela não diminuiu as dores da vida nem fingiu possuir forças extraordinárias. Pelo contrário, reconheceu sua fragilidade e fez dela um lugar de confiança. Ser pequena, para Teresa, não era desistir de crescer, mas deixar-se conduzir pelo amor de Deus como uma criança que sabe em quem repousa.

Essa confiança encontra eco forte nas palavras de Jó. Ferido, incompreendido e cansado de ouvir acusações, ele não esconde seu sofrimento. Pede piedade aos amigos e dá nome àquilo que o machuca. Contudo, no centro de sua aflição, permanece uma certeza que não foi destruída: seu redentor está vivo. Jó não enxerga ainda a solução de sua dor, mas não entrega a dor à última palavra. Sua esperança não é uma explicação fácil; é a decisão de permanecer voltado para Deus, esperando contemplá-lo.

O Evangelho mostra os discípulos enviados de modo igualmente despojado. Jesus os manda sem os recursos que normalmente dariam segurança, como cordeiros em meio a lobos, portadores de uma paz que nem sempre será recebida. Eles não são enviados porque dominam todas as situações, mas porque o Senhor vai à frente deles. Sua tarefa é entrar nas casas, acolher o que lhes é oferecido, cuidar dos doentes e anunciar que o Reino está próximo. A fecundidade da missão não depende de controlar os resultados, mas de levar com simplicidade a presença de Cristo.

A pequena via de Santa Teresinha ajuda a unir essas palavras. Há dias em que a fé parece apenas um botão fechado às pressas, uma oração breve antes de uma conversa difícil, a paciência guardada quando ninguém percebe, o pedido de perdão que custa a sair. Nada disso é insignificante quando é entregue a Deus. A confiança não elimina a vulnerabilidade, mas impede que ela se transforme em desespero. Quem sabe que o Redentor vive pode atravessar o que não entende sem perder a direção.

Hoje, talvez o Senhor não peça algo espetacular, mas uma paz oferecida numa casa, uma tarefa realizada com amor ou uma dor colocada diante dele sem disfarces. Em que pequena situação concreta você pode repetir, com Santa Teresinha e com Jó, que sua confiança está naquele que vive?

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