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Ilustração em estilo gráfico: uma oliveira madura com tronco retorcido, em tons de verde musgo e verde salvia.
16ª Semana do Tempo Comum Cor litúrgica: verde 3 min de leitura

Quando o coração reaprende a enxergar Deus

Ouvir a reflexão · 5 min

Leituras do dia

Primeira Leitura
Jr 2,1-3.7-8.12-13
Salmo Responsorial
Sl 35(36),6-7ab.8-9.10-11 (R. 10a)
Evangelho
Mt 13,10-17

Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.

Há manhãs em que começamos o dia já cansados, antes mesmo de sair de casa. O celular desperta, chegam mensagens, surgem notícias, pendências e preocupações. Enquanto preparamos o café ou seguimos apressados para o trabalho, muitas coisas passam diante dos nossos olhos, mas poucas realmente alcançam o coração. Podemos ouvir muitas vozes e, ainda assim, não escutar o que importa. Podemos olhar para a vida inteira sem perceber os sinais discretos de Deus sustentando cada passo.

Jesus fala dessa dificuldade no Evangelho ao recordar pessoas que olham sem ver e ouvem sem compreender. Não se trata de uma falta de inteligência, nem de Deus falando de modo confuso. O problema está no coração que se tornou insensível, acostumado a se defender, a desconfiar, a guardar mágoas ou a viver apenas na superfície. Quando o coração fecha as portas, até a graça mais evidente parece distante. Mas quando se abre com humildade, a Palavra começa a iluminar situações que antes pareciam sem saída.

A primeira leitura traz uma imagem muito forte: o povo abandona a fonte de água viva e procura cisternas rachadas, incapazes de guardar água. É uma imagem que toca nossa rotina. Quantas vezes buscamos segurança em coisas que não conseguem sustentar a alma? Procuramos descanso em distrações que passam rápido, aprovação nas opiniões dos outros, controle sobre o futuro, acúmulo de tarefas ou bens. Nada disso é necessariamente mau, mas nada disso pode ocupar o lugar de Deus. Quando esperamos daquilo que é limitado a vida que somente o Senhor pode dar, acabamos com sede mesmo estando cercados de recursos.

O salmo nos devolve ao lugar certo: em Deus está a fonte da vida. Ele não é uma ideia distante para os momentos de emergência; é a nascente que alimenta o nosso interior todos os dias. Sua graça nos abriga, sua luz nos ajuda a enxergar e sua fidelidade permanece quando nossas certezas falham. Voltar à fonte não exige uma vida perfeita nem sentimentos extraordinários. Exige sinceridade. É reconhecer que o coração anda seco e permitir que Deus o visite novamente.

Os discípulos são chamados felizes porque seus olhos veem e seus ouvidos ouvem. Essa felicidade não nasce do privilégio de saber mais que os outros, mas da disposição de acolher Jesus. Os pequeninos, lembrados na aclamação, não são os que ignoram a realidade, mas os que não se julgam autossuficientes diante de Deus. Eles sabem que precisam aprender, pedir, escutar e recomeçar.

Nesta manhã, talvez o Senhor não queira acrescentar mais uma obrigação à sua lista. Talvez Ele apenas peça que você pare por alguns instantes e olhe com verdade para dentro de si. Onde você tem procurado a água que sacia? Que ruído tem abafado a voz de Deus? Peça a graça de ter olhos que veem, ouvidos que escutam e um coração humilde para voltar, hoje, à fonte da vida.

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