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Ilustração em estilo gráfico: uma paisagem desértica com dunas moldadas pelo vento, em tons de verde musgo e verde salvia.
16ª Semana do Tempo Comum Cor litúrgica: verde 3 min de leitura

Quando a Palavra encontra terra no coração

Ouvir a reflexão · 4 min

Leituras do dia

Primeira Leitura
Jr 3,14-17
Salmo Responsorial
Jr 31,10.11-12ab.13 (R. cf. 10d)
Evangelho
Mt 13,18-23

Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.

Há manhãs em que o dia começa antes mesmo de sairmos da cama. O celular desperta, chegam mensagens, a lista de tarefas aparece na mente e, quase sem perceber, já estamos correndo por dentro. Entre compromissos, preocupações com a família, contas, notícias e tantas exigências, o coração pode se tornar um lugar cheio de ruídos. A Palavra de Deus é ouvida, talvez numa breve oração ou na missa, mas encontra pouco silêncio para permanecer. Jesus fala hoje dessa semente lançada em diferentes terrenos e nos ajuda a olhar com sinceridade para o solo de nossa própria vida.

A semente não é pobre nem fraca. Ela é a Palavra do Reino, cheia de vida, capaz de orientar decisões, consolar na dor, corrigir caminhos e fazer nascer frutos que não conseguiríamos produzir sozinhos. O problema não está na generosidade de Deus, que semeia sem cessar, mas nas condições que oferecemos para acolher o que Ele diz. Há vezes em que a Palavra cai à beira do caminho, porque a escutamos sem procurar compreendê-la. Em outras, ela desperta entusiasmo momentâneo, mas não encontra raízes para sustentar a fidelidade quando chega uma contrariedade. E há ainda os espinhos das preocupações e da ilusão de que possuir mais resolverá tudo; eles vão ocupando o espaço interior até sufocar aquilo que Deus havia começado.

Jeremias nos recorda que o Senhor não se cansa de chamar: “Convertei-vos”. Não é uma palavra de condenação, mas o apelo de quem diz: “Eu sou vosso Senhor”. Deus não nos abandona no meio de nossas dispersões. Ele deseja reconduzir seus filhos, dar-lhes pastores segundo o seu coração e reuni-los junto de si. Converter-se, então, é voltar para Aquele que nos guarda como pastor guarda o rebanho. É reconhecer que o coração não foi feito para viver levado pelas inclinações que o confundem, mas para ser morada do Senhor.

Preparar a boa terra não significa alcançar uma vida sem dificuldades, distrações ou cansaço. Significa cultivar uma disposição humilde e perseverante. Talvez seja escolher alguns minutos de silêncio antes de mergulhar nas telas; talvez seja reler uma frase do Evangelho durante o dia; talvez seja não deixar que uma decepção nos faça desistir da oração. A raiz cresce escondida, devagar, no cotidiano fiel. Quem guarda a Palavra mesmo nas horas áridas começa a perceber que ela transforma o modo de falar, de trabalhar, de enfrentar uma preocupação e de tratar quem está por perto.

Hoje, o Senhor lança novamente sua semente em nós. Ele não pede um coração perfeito, mas um coração disponível, disposto a retirar pedras, abrir espaço e confiar no cuidado do Pastor. Que terreno a Palavra de Deus encontrará em mim nesta manhã, e que pequeno gesto posso fazer para que ela crie raízes e dê fruto?

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