A doçura de se tornar pequeno diante de Deus
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Leituras do dia
- Primeira Leitura
- Ez 2, 8-3, 4
- Salmo Responsorial
- Sl 118(119)
- Evangelho
- Mt 18, 1-5. 10. 12-14
Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.
Um celular pode amanhecer cheio de notificações, pedidos e assuntos que parecem urgentes; ao mesmo tempo, uma criança desenha no chão, inteiramente concentrada numa cor ou numa forma que acabou de descobrir. De um lado, a pressa de resolver, responder e aparecer; de outro, a simplicidade de quem se entrega ao que recebeu naquele instante. Esse contraste ajuda a acolher a pergunta dos discípulos no Evangelho: quem é o maior no Reino dos Céus? Jesus não responde com uma lista de méritos, nem aponta para quem tem mais influência. Ele coloca uma criança no meio deles e convida seus amigos a se tornarem pequenos.
Ser pequeno, para Jesus, não é desistir da própria responsabilidade nem cultivar uma falsa inferioridade. É deixar de medir a vida pela necessidade de ocupar o primeiro lugar. É reconhecer que somos recebidos antes de qualquer conquista, amados antes de provarmos nosso valor e dependentes de Deus mesmo quando nossas capacidades são reais. A criança evocada por Jesus sabe pedir, acolher, confiar; não precisa sustentar sozinha o peso do mundo. Essa humildade abre espaço para o Reino, porque devolve o coração à sua verdade.
A primeira leitura mostra Ezequiel recebendo um rolo com palavras duras, marcadas por lamentos e ais. Ainda assim, ao obedecer e comer aquilo que Deus lhe entrega, ele experimenta uma doçura semelhante ao mel. A Palavra não é doce porque elimina imediatamente tudo o que nos inquieta. Ela é doce porque nos alimenta na verdade, dá direção ao coração e nos torna capazes de falar e viver segundo Deus. Há palavras do Senhor que corrigem nossos desejos de grandeza, revelam nossos fechamentos e chamam nossa atenção para quem ficou à margem. Mesmo assim, são palavras que curam, pois procedem de um Pai que não quer perder nenhum de seus pequeninos.
Santa Clara iluminou essa pequena e firme confiança. Em vez de buscar a segurança que o prestígio e os bens poderiam lhe oferecer, ela escolheu seguir Cristo pobre e humilde. Sua vida não foi uma fuga do mundo, mas uma maneira concreta de afirmar que Deus basta e que a verdadeira riqueza está em pertencer a Ele. Clara aprendeu a olhar para Cristo com atenção amorosa, e desse olhar nasceu sua liberdade. Quem se sabe diante do Senhor não precisa competir para ser visto; pode servir, acolher e permanecer fiel mesmo no escondimento.
Talvez hoje a pergunta sobre quem é maior apareça de modo discreto: na vontade de ter razão, no incômodo por não receber reconhecimento, na comparação com alguém ou na dificuldade de perceber uma pessoa que precisa de cuidado. Jesus nos pede um caminho diferente: receber os pequenos e procurar quem se perdeu. Que palavra de Deus você precisa acolher com humildade nesta manhã, para que seu coração se torne mais simples, mais livre e mais parecido com o de Cristo?
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