Cristo está onde a reconciliação é buscada
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Leituras do dia
- Primeira Leitura
- Ez 9,1-7; 10,18-22
- Salmo Responsorial
- Sl 112(113)
- Evangelho
- Mt 18, 15-20
Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.
Duas ou três pessoas: Jesus escolhe um número pequeno para falar de uma presença imensa. Não pede uma multidão, nem uma estrutura impressionante, mas gente disposta a se reunir em seu nome. Esse detalhe cabe bem no começo de um dia comum, quando cada encontro parece simples demais: a conversa breve com alguém da equipe, a mensagem que precisa ser respondida, a convivência em casa, o pedido de ajuda que chega sem aviso. É nesses espaços concretos que a fé ganha rosto.
O Evangelho começa com uma situação delicada: um irmão errou, e a relação foi ferida. Jesus não aconselha fingir que nada aconteceu, nem transformar a dor em comentário para os outros. Ele diz para ir ao encontro, em particular. Há muita caridade nessa discrição. Corrigir não é humilhar; procurar quem errou não é vencer uma discussão; falar a verdade não é descarregar a própria irritação. O objetivo é ganhar o irmão, isto é, não deixá-lo perdido na distância, no ressentimento ou no erro.
Esse caminho exige paciência, porque nem toda reconciliação acontece no primeiro gesto. Jesus prevê que será preciso chamar outras pessoas e, depois, recorrer à comunidade. Não se trata de aumentar a pressão sobre alguém, mas de reconhecer que as feridas humanas não devem ser tratadas com isolamento. A Igreja é chamada a ser lugar onde a verdade e a misericórdia caminham juntas, sem indiferença diante do mal e sem prazer em condenar.
A visão de Ezequiel mostra pessoas que gemem e suspiram diante dos horrores praticados na cidade. Elas não se acostumaram ao que destrói a vida, não fizeram paz com a injustiça. Também nós precisamos guardar esse coração sensível: um coração que não celebra o mal, que não se acomoda à falsidade, que percebe quando uma relação precisa de cura. Mas o Evangelho nos mostra como esse incômodo pode se tornar serviço de reconciliação, e não apenas crítica ou amargura.
O salmo proclama a grandeza do Senhor, cuja glória ultrapassa os céus e, ainda assim, se inclina para olhar a terra. Deus não é distante das pequenas tensões do nosso cotidiano. Ele se inclina sobre a conversa que evitamos, sobre a mágoa que carregamos, sobre a pessoa que talvez precise ser procurada com humildade. E Cristo promete estar no meio daqueles que se unem em seu nome, especialmente quando buscam aquilo que restaura a comunhão.
Antes de começar suas tarefas, peça a graça de não alimentar distâncias desnecessárias. Existe alguém a quem você pode hoje dirigir uma palavra mais verdadeira, mais serena e mais fraterna, para que Cristo encontre espaço entre vocês?
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