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Ilustração em estilo gráfico: um portão de madeira aberto em um muro baixo de pedra, em tons de verde musgo e verde salvia.
24ª Semana do Tempo Comum Cor litúrgica: verde 2 min de leitura

A Palavra que amadurece no coração paciente

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Leituras do dia

Primeira Leitura
1Cor 15,35-37.42-49
Salmo Responsorial
Sl 55(56)
Evangelho
Lc 8,4-15

Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.

Ao regar uma planta pela manhã, ninguém espera vê-la crescer diante dos olhos. A água desaparece na terra, e o gesto parece pequeno demais para produzir alguma mudança. Ainda assim, quem cuida sabe que aquela umidade silenciosa alcança as raízes e sustenta a vida que, no tempo certo, aparecerá em folhas, flores e frutos. Há processos que não fazem barulho, mas pedem constância.

Jesus diz que a semente é a Palavra de Deus. Ela é lançada com generosidade sobre a vida de cada pessoa, inclusive quando o coração parece ocupado, cansado ou endurecido pelas preocupações. O problema não está na força da semente, mas no terreno que encontra. A Palavra pode ser escutada sem permanecer; pode ser recebida com entusiasmo e abandonada na primeira contrariedade; pode ser sufocada pelas urgências, pelos desejos de possuir mais e pela dispersão que toma conta dos dias. Não se trata de uma acusação, mas de uma pergunta serena sobre o espaço que damos a Deus dentro de nós.

Terra boa não é um coração perfeito, sem pedras nem espinhos. É um coração que se deixa trabalhar. É aquele que volta à Palavra mesmo depois de uma distração, que procura rezar quando a vontade é pouca, que escolhe não alimentar uma inquietação inútil, que mantém uma decisão boa apesar da demora dos resultados. A perseverança de que Jesus fala não é rigidez nem esforço solitário. É permanecer disponível para que o Senhor faça crescer o que ele mesmo semeou.

São Paulo contempla esse mesmo mistério ao falar do grão que precisa ser lançado à terra para que uma vida nova surja. Deus não despreza nossa fragilidade, nosso corpo mortal, nossos limites e nossas perdas. Ele os recolhe como semente e lhes promete uma plenitude que agora não conseguimos imaginar. O que parece oculto ou até insignificante aos nossos olhos pode estar sendo preparado por ele para a vida.

Antes de sair para os compromissos deste sábado, vale olhar para o próprio coração com simplicidade: que preocupação tem sufocado a Palavra, e qual pequeno gesto de perseverança posso oferecer hoje para que Deus encontre em mim uma terra mais aberta?

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